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Como orientar uma criança problemática

O significado da expressão "criança problemática" pode variar em grau e intensidade da circunstância, mas ela se refere ge­ralmente a crianças que desrespeitam certas regras da sociedade, praticando agressões e furtos, cabulando as aulas, etc. Na escola, tais crianças tumultuam a classe, transgridem os regulamentos, maltratam os colegas, enfim, causam muitos problemas aos professores. Crianças desse tipo são consideradas más e problemáticas; por conseguinte são malquistas e rejeitadas pelos cole­gas e professores, o que é motivo de grande tristeza para os pais.

De acordo com a Educação da Vida, originalmente não existe criança problemática, atrasada ou retardada mentalmente. Todo ser humano é filho de Deus e dotado de talento. Crianças problemáticas são aspectos fenomêni­cos provisórios de crianças talentosas.

Primeiramente, reflita sobre as seguintes questões:

1 - Quando uma criança come­ça a apresentar algum problema sério - como, por exemplo, rebeldia, clep­tomania, aversão ao estudo -, o que você pensa, como tenta solucioná-lo? Como devemos interpretar esse pro­blema do ponto de vista da Educação da Vida?

2 - A Educação da Vida ensina que, antes de mais nada, devemos dis­tinguir a Imagem Verdadeira do aspec­to fenomênico. Que é, afinal, Imagem Verdadeira?

3 - Mesmo que uma criança este­ja manifestando aspecto problemático, a Educação da Vida ensina que não existe criança problemática, que esse aspecto negativo é apenas sombra da mente. O que significa a expressão "sombra", neste caso?

4 - A Educação da Vida ensina que, quando os pais mudam, a crian­ça também muda. Em outras palavras, ela diz que todo problema da criança é na verdade problema dos pais. Ex­plique melhor esta afirmação.

5 - Já que o filho é reflexo da mente dos pais, pode-se conjeturar que você é reflexo da mente dos seus pais. Então, para você mudar, é preciso que seus pais mudem? Qual é a sua opinião a esse respeito?

6 - Na verdade criança proble­mática é um aspecto provisório de, uma criança talentosa. Ou, falando mais diretamente, criança problemá­tica é talentosa. O que você pensa a esse respeito?

7 - Que tipo de lição o filho pro­blemático proporciona aos pais? Por que surge esse tipo de criança?

NA VERDADE, CRIANÇA PROBLEMÁTICA É UMA CRIANÇA TALENTOSA

Nesta vida, não existe experiência inútil

Criança problemática é um as­pecto provisório de uma criança talen­tosa. Como eu próprio fui uma criança problemática, sinto um certo constran­gimento em afirmar que "criança pro­blemática é uma criança talentosa", mas vamos às explicações.

Quando era estudante de ensi­no fundamental, pratiquei vários atos condenáveis, típicos de uma criança problemática, e por esta razão com­preendo a psicologia das crianças desse tipo. Foi uma experiência impor­tante que, posteriormente, ajudou-me bastante na minha carreira de educa­dor. Portanto, posso afirmar que na vida não existem experiências inúteis. Todo fracasso e toda infelicidade são lições da vida necessárias para nosso desenvolvimento. Com base em minha experiência, vou elucidar os "problemas" de uma criança problemática.

Eu sentia medo do meu pai por­que ele me castigava severamente, na tentativa de corrigir-me do vício de praticar pequenos roubos. Devido a esse pavor, quando me tornei adul­to, tive dificuldade de relacionamento com meus superiores imediatos, que representavam a figura do pai, e vivia tendo problema com eles.

Outro ato reprovável que eu pra­ticava na infância era levantar a saia das meninas, e sempre das mais boni­tas. Esse meu comportamento serviu­me como um ponto de referência pos­teriormente, quando passei a analisar a questão da sexualidade das crianças. Por essas razões, concluo que nesta vida não existe nenhuma experiência inútil.

Por que as crianças praticam atos reprováveis?

Via de regra, o coração das crian­ças consideradas problemáticas está cheio de tristeza. Criança boa é si­nônimo de criança feliz. Jamais uma  criança praticará más ações quando o seu coração estiver repleto de felicida­de, de alegria de viver.

O que me deixava mais triste, quando criança, era o comentário que minha mãe fazia comparando-me com meu irmão mais novo. Ela, que era uma pessoa alegre, costumava di­zer em tom brincalhão: "Você foi en­contrado no rio. Seu irmãozinho é de­licado, parece um principezinho, mas você parece onigawara". (N. da T.: Onigawara: telha em que está grava­da a máscara de um demônio; termo utilizado para se referir a uma pessoa extremamente feia.)

Havia um pequeno rio a mais ou menos 300 metros de minha casa; fre­quentemente eu ia até lá, ao entarde­cer, postava-me sobre a ponte e cho­rava, pensando: "Então, aqui é o meu lar". Além disso, cheguei a analisar vá­rias e várias vezes o meu rosto diante do espelho.

No meu caso, como me conside­rava diferente do meu irmão, pois pen­sava que realmente fora encontrado no rio e portanto não era filho verdadeiro de meus pais, passei a manifestar vá­rios problemas graves, como enurese noturna e cleptomania, além da mania de levantar a saia das meninas.

No fundo da tristeza encontra-se o santuário da alma

Qualquer que seja o problema, o mal não existe. Por mais que o mal pareça existir, ele não existe. Mesmo que algo pareça mau, na verdade é bom. No momento de uma grande dor descobrimos que no fundo da tristeza existe o "santuário da alma", a grande salvação.

Do ponto de vista da psicanálise ou da psicologia educacional, a educação que recebi dos meus pais não pode ser considerada boa. Mas a profundidade dos desígnios desta vida não pode ser compreendida nem pela pedagogia nem pela psicanálise.

Ao refletir sobre a minha infância, percebo que meus pais me ensinaram o segredo da vida justamente por te­rem-me causado profundas tristezas. Eles fizeram-me passar por experiên­cias necessárias para que eu viesse a me tornar um grande pedagogo. A certa altura de minha infância, passei a pensar seriamente: "Quando crescer, vou salvar as crianças que fazem xixi na cama, descobrindo a causa desse problema".
 
Refleti seriamente também sobre a cleptomania, vício de que eu não con­seguia me livrar por mais que fosse re­preendido e castigado, e por mais que prometesse a mim mesmo abandoná­-lo. Ninguém pode imaginar quão seriamente refleti: "Que vício é este que não consigo abandonar de jeito ne­nhum, mesmo sabendo que é errado, mesmo jurando ao Deus Todo-Pode­roso que nunca mais vou roubar?".

Eu também não entendia por que maltratava a garota por quem era apaixonado e refleti muito a respeito dessa conduta.

Meus pais fizeram-me vivenciar essas experiências necessárias para que eu conhecesse os complexos pro­blemas desta vida e aprendesse a so­lucioná-los.

Naturalmente, eles não planeja­ram tudo isso. Houve a interferência da grande mão da Providência, ou seja, da força de Deus. Deus agiu através de meus pais, escolheu-me para ser um filho problemático e fez­-me passar por diversas experiências, a fim de que, concluindo o aprendizado, eu adquirisse a capacidade de ajudar os outros. Quando conseguimos ana­lisar os fatos de um plano elevado, percebemos que nenhuma experiência desta vida é inútil. Nada acontece por acaso. Nossa alma se eleva através de experiências e adquirimos a capacidade de salvar as pessoas que estão pas­sando pelos mesmos sofrimentos que já vivenciamos.

Originalmente não existe filho problemático

Os pais aprendem muito sobre a vida ao lidar com um filho problemá­tico. É surpreendente o resultado que os pais conseguem ao conhecer a Edu­cação da Vida no momento em que o problema se apresenta tão grave que a solução parece estar além dos limi­tes da força humana. Quando eles se conscientizam de que não adianta se esforçar com a inteligência cerebral, de que os vários métodos para solucionar o problema não trazem nenhum resul­tado, a Educação da Vida surte o seu real efeito. As chaves para a solução dos problemas, de acordo com a Educação da Vida, são as seguintes:

Antes de mais nada, devemos ter uma visão lúcida acerca do ser huma­no, que consiste na seguinte convic­ção: A Imagem Verdadeira do ser hu­mano é de filho de Deus, perfeito. Não existe criança má. Criança má é reflexo da nossa mente. Criança problemática não existe originalmente. Ela é apenas manifes­tação da mente distorcida do educa­dor."

Em outras palavras, não se deve ter a pretensão de melhorar a crian­ça, pois ela é boa desde o princípio. O pensamento "vou fazer com que ela melhore" prejudica a criança, pois baseia-se na ideia de que "ela não é boa". Se a pessoa crer que a criança é boa desde o princípio, não pensará em fazer com que ela "se torne boa".

Os filhos mudam quando os pais mudam.

Desde tempos remotos, é dito que "o filho é espelho da mente dos pais". Toda criança possui natureza divina absolutamente perfeita; portanto, não possui nenhum defeito. É como um es­pelho límpido. Se nosso filho se apre­senta como criança má, é porque nele está refletida a nossa atitude mental errônea.

Por exemplo, vamos supor que o nosso rosto refletido no espelho esteja sujo de tinta. Por mais que esfregue­mos o espelho na tentativa de eliminar a mancha da imagem refletida, ela não ficará limpa. Mas, se lavarmos o rosto, a mancha de tinta desaparece­rá. Do mesmo modo, a criança reflete a mente dos pais; por isso, quando os pais harmonizam a mente e propiciam um ambiente familiar repleto de paz e alegria, a criança se torna boa, reve­lando a sua verdadeira natureza.

Existem pessoas que raciocinam do seguinte modo: "Se os filhos são reflexos dos pais, eu sou reflexo dos meus pais. Então, para que eu melho­re, os meus pais é que precisam me­lhorar". Mas esse tipo de argumento não é válido. Nossos pais também são reflexos de nossa mente. Assim como nossos filhos mudam quando nós mu­damos, nossos pais também mudam quando nós mudamos.

Tudo se origina de nós e a nós retorna. Somos responsáveis por tudo que acontece ao nosso redor. Quando nós mudamos, tudo que está ao nosso redor se transforma.

Neste princípio se alicerça o ver­dadeiro poder da Educação da Vida. Somente quando compreendemos que tudo - tanto a circunstância como o destino - é responsabilidade nossa, libertamo-nos de todas as amarras que vinham nos tolhendo e tornamo­nos seres absolutamente livres, donos do próprio destino. Essa convicção é obtida quando nos conscientizamos de que todos somos realmente filhos de Deus. E isso é fundamental para eliminar o aspecto problemático de uma criança.

Quando conscientizamos que so­mos filhos de Deus, desaparece o eu fenomênico que se esforça na tentativa de melhorar; começa então a brilhar em nós o filho de Deus que é absolu­tamente perfeito desde o princípio.

[Keiyo Kanuma]

Um comentário:

  1. Criança problemática é um conceito, entretanto devemos observar a individualidade, e é muito dificil para os pais conseguirem absorver todos estes sinais, assim, sempre que possivel seria interessante a busca de uma ajuda profissional.

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